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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O que são Células? O que é Transformar? Algumas práticas e perspectivas do Projeto



O que são Células? O que é Transformar? 
Algumas práticas e perspectivas do Projeto 

Depois de um ano e 4 meses de práticas, o projeto células de transformação realizou com três comunidades (Peri Alto, Guarani, Limão) e uma escola na Zona Norte de São Paulo, e uma comunidade em Ubatuba, processos de protagonismo comunitário e desenvolvimento local que são lindos motivos para celebrarmos. Atividades com crianças, jovens e adultos, desde educação ambiental a formação de associação de moradores, com uma linha mestra: co-criar novas perspectivas que gerem autonomia e capital social, por meio do despertar do sonho. E, assim como uma célula, trabalhar desenvolvimento local de maneira holográfica: pessoa, grupo e território que se transformam simultaneamente. Aquele incrível impulso que te lança para mudar o mundo, se volta para você, para transformar, ao mesmo tempo, a si mesmo, em comunidade.

O Células é um laboratório vivo de práticas sociais em desenvolvimento territorial e organizacional, um espaço de experimentação de novas formas de organização e mobilização de potenciais de pessoas. Pois aqui, é criar, sem receitas e sem moldes, com outras pessoas, novas realidades mais verdadeiras e sustentáveis. É se lançar e desafiar para expandir seu limiar e sair fora da caixa.

Abaixo contaremos uma das experiências do projeto Células de Transformação, realizadas pela primeira, segunda e terceira turmas, com o bairro Jardim Peri Alto, desde abril de 2011 até agosto de 2012. 


O que aconteceu e está acontecendo no Peri Alto
O bairro Peri Alto está localizado na zona norte da cidade de São Paulo, fazendo fronteira com o Parque Nacional da Serra da Mantiqueira. O bairro possui cerca de 5000 famílias e se subdivide em duas partes, referentes a tipo das construções e condição sócio-econômica: o Peri Baixo e o Peri Alto. O Peri Alto é formado por casas de alvenaria e seus moradores possuem um poder aquisitivo maior que o restante do bairro. O Peri Baixo, ou “Sem-Terra”, localizado no perímetro de menor altitude do bairro, às margens do córrego e à beira da serra, possui condições precárias de moradia, falta de saneamento básico, problemas com enchentes, presença de ratos e água contaminada. O único aparelho público no território é a Escola Estadual Assis Ambrósio, localizada no ponto mais alta do bairro, cujo nome é em homenagem ao presidente de uma antiga associação de moradores que, extinta na década de 1980, conquistou na época, além da escola, asfalto, energia elétrica e abastecimento de água. O moradores mais antigos contam que no bairro antigamente “não tinha nada, era um mato só”. O bairro, predominantemente residencial, possui algumas igrejas, católica e evangélicas, bares e pequenos comércios. O bairro é fruto de ocupações irregulares e até o momento a maioria das casas não possuem escritura de propriedade. 
O trabalho no bairro contou com o apoio da organização não governamental AMURT-AMURTEL e do Programa Escola da Família. A AMURT-AMURTEL, presente no bairro desde década de 1980, possui uma creche, para crianças de 0 a 3 anos, e um Centro de Crianças e Adolescentes (CCA), a partir dos quais, além de oferecer educação gratuita, realiza festas e ações de assistência social, como distribuição de leite. Em junho de 2011, com o intuito de conhecer moradores, foram realizadas oficinas de Tecnologia de Informação e Comunicação para adolescentes e adultos, assim como foram realizadas intervenções na festa julina e festa do dias das crianças organizada pela AMURT. Com o Programa Escola da Família, demos apoio para a realização do casamento comunitário.
A partir de julho de 2011 foi realizado um processo de diagnóstico participativo, com moradores de todas as idades, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Levantando necessidades e sonhos, os moradores descreveram o bairro como em situação de dependência de outras localidades, não possuindo áreas de lazer, atividades culturais, unidade básica de saúde. Saneamento, posto policial, iluminação pública e policiamento inadequados, além de falta de abastecimento de água aos fins de semana e  “problemas sérios com a juventude”, são algumas das preocupações dos moradores, segundo os quais, o “Jardim Peri Alto não existe”.
Em agosto foi informalmente constituído um grupo, inicialmente com foco em formar uma associação de moradores, com vistas ao reconhecido perante a própria comunidade e a subprefeitura, para a consolidação de melhorias in loco. Este grupo é conhecido como a Rede Peri Alto, formado por 40 pessoas moradores do Peri Alto (situação que nos levou a iniciar uma série de entrevistas com os moradores do Peri Baixo, buscando iniciar um trabalho que os envolva de maneira mais efetiva), com idade entre 17 a 73 anos e composto por 30% de homens e 70% de mulheres. Este grupo reúne-se quinzenalmente para diversas atividades. O foco destes encontros foram: criação de empatia e ligação fraterna entre os moradores, atuação conjunta, constituição oral da história do bairro; resolução de conflitos e organização e preparação de documento para participação no O. P. - Orçamento Participativo, da Prefeitura Municipal de São Paulo.
Dia 31 de Agosto de 2011, a Rede Peri Alto participou da reunião do Orçamento Participativo na Subprefeitura da Casa Verde apresentando as demandas que levantaram ao longo do processo de diagnóstico participativo. Entre as principais demandas estavam a criação de um posto de saúde para o bairro. Foi entregue ao subprefeito 5000 assinaturas. Após a entrega das propostas para o Orçamento Participativo e as reuniões da Rede Peri Alto, os moradores participantes expressaram o sentimento de que “Nós existimos”.
De setembro a dezembro de 2011, demos continuidade a formação da Rede Pery Alto, trazendo palestrantes sobre temas diversos e lideranças comunitárias de outros bairros, trabalhando o estatuto para a formação da Associação de Moradores e demos continuidade a organização em prol do posto de saúde. Os moradores, sempre com a facilitação dos multiplicadores, acompanharam o processo junto a Sup-prefeitura e, em dezembro, aproveitaram a oportunidade de realização de uma Missa Campal no Peri Baixo, transmitida ao vivo para a Alemanha, para entregarem ao Bispo da Igreja Católica, uma carta para solicitação do posto de saúde para o bairro. A carta chegou até a Secretária da Saúde e atualmente estão em processo de encontrar uma casa para receber três equipes do Programa Saúde da Família.
Paralelamente ao acompanhamento para a implementação de políticas públicas voltadas para a saúde da população residente território, estamos em um processo de formação da rede de moradores, iniciando a organização das Comissões de Cultura e Educação e de Infra-estrutura, Segurança e Meio-Ambiente. A Comissão de Cultura e Educação realizou como primeiro projeto o Show Pery Alto em Ação, em maio de 2012, do qual participaram bandas de Rap do bairro e região, com intervenções artísticas de teatro. A comissão de Infra-Estrutura, Segurança e Meio-Ambiente, trouxe para o bairro de maneira mais efetiva a Operação Cata-Bagulho que ampliou o recolhimento de objetos sem utilidade, como móveis e eletrodomésticos velhos que por vezes ocupavam praças, para muitas ruas do bairro. Foram 5 caminhões que trabalharam durante o dia 26 de maio, com o acompanhamento dos moradores membros da Rede Pery Alto, e saíam lotados por materiais deixados pelos moradores em suas portas. Foi uma atividade de grande sucesso, que mobilizou e trouxe benefícios para cerca de 300 famílias. E o mais importante: não fomos nós que fizemos, e sim apenas facilitamos um processo. Foi a Rede Pery Alto que com suas próprias pernas fez acontecer. 
Com esta ação, criou-se um movimento reinvindicatório no bairro contra as multas abusivas e sem aviso prévio que haviam sido aplicadas sobre os moradores a respeito da irregularidade nas calçadas do bairro. Os moradores organizados foram dialogar com a sub-prefeitura para buscar solucionar a questão.

Atualmente a Rede Pery Alto continua a se organizar e caminha para a sua formalização. As reuniões estão sendo destinadas a discutir forma de divulgação de um encontro no dia 15 de setembro voltado para apresentação da Rede para as pessoas, possibilitando que os moradores do Pery se apropriem da Rede e tenham a oportunidade de participar de sua formação se assim desejarem.

Paralelamente está sendo organizado o Dia da Cidadania, idealizado  em pela Escola da Família, será realizado na E.E Assis José Ambrósio e contará com o apoio da Rede e do CdT. Nesse dia pretende-se ofertar atendimento médico e psicológico, consultoria jurídica, atividades culturais, como oficinas de teatro e música, palestras, cursos rápidos com enfoque profissionalizante, entre outros. 

Outra atividade sendo desenvolvida é formação de um grupo de jovens do Pery. Trata-se de um projeto que tem por base um questionário que os jovens podem responder de diferentes maneiras, como com fotos, áudio, vídeos ou mesmo escrito, com intuito de que  possamos nos aproximar desses jovens de forma dinâmica e descobrir seus gostos, sonhos e vontades.Ainda em fase experimental foi aplicado com os jovens que compõem o grupo e alguns membros do CdT . Pretende-se usar o facebook para facilitar o acesso e a participação dos jovens uma vez que as redes sociais utilizadas como espaços de relacionamento.

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